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  • Foto do escritorWendell Correia

Entrevistamos o Alexandr Gnezdilov, criador das artes do novo álbum do Pearl Jam


Entrevista exclusiva para o 5 Notas com Alexandr Gnezdilov, fotógrafo e artista que criou a arte do novo álbum do Pearl Jam, "Dark Matter". Ele conta como desenvolveu seu método de criar fotos com movimentos de luzes, como os caras do Pearl Jam entraram em contato, como foi trabalhar com eles, sua banda Pulsar Clock, seus outros trabalhos e muito mais.



WENDELL CORREIA: Obrigado por me receber, Alexandr. Como você está, cara?

ALEXANDR GNEZDILOV: Obrigado por me receber. Obrigado pelo convite.


Você fez a arte de capa e as fotos com luzes em Dark Matter, o novo álbum do Pearl Jam. Mas antes de falarmos disso, gostaria de saber mais sobre você. Como estão as coisas na Alemanha, onde você está agora?

Bem, na verdade. Não sei o que dizer exatamente, as coisas estão normais. Tenho a impressão de que está ventando mais em relação aos últimos anos. Mas além disso, está tudo bem.


Já faz um tempo que você está morando aí. Mas você nasceu em Moldova em 1979 e mudou para a Alemanha em 2001. Como foi crescer em Moldova e por que mudou para a Alemanha?

Também era normal e divertido. Quando era criança, passei muito tempo fora de casa, não tínhamos celular nem qualquer outro tipo de dispositivos digitais como temos hoje em dia. Era bem normal mesmo. Escola normal com muita diversão entre todas as crianças. Coisas assim, foi uma infância normal. E aí, quando eu tinha 12 anos, a União Soviética...Moldova fazia parte da União Soviética naquela época. Em 1992, a União Soviética chegou completamente ao fim e Moldova virou um Estado próprio. Se desintegrou da União Soviética, assim como países como a Ucrânia, Geórgia e vários outros. E a situação foi ficando cada vez pior, principalmente na economia. E a minha família teve a oportunidade de mudar para a Alemanha com a esperança de ter uma vida melhor. E deu certo! Estou melhor agora. Acho que atualmente Moldova não está tão bem quanto a Alemanha. É um país pequeno, tem corrupção e todos os problemas que acontecem nos países que são pequenos.


Você é engenheiro de software, músico e fotógrafo. Qual profissão veio primeiro na sua vida?

Na verdade, para falar em termos de profissão é de Engenheiro de Software porque eu tenho um diploma para isso. Comecei aqui na Alemanha estudando Ciências da Computação. Na verdade, em Moldova eu comecei e quase terminei por lá o curso de Técnico em Eletrônica. Mas então, quando fui para a Universidade, eu comprei uma guitarra usada e comecei a experimentar esse lado. E tinha um toca fitas cassete onde era possível gravar várias camadas em uma faixa de música. Foi como comecei na música, mas foi bem devagar. Não me aprofundava tanto na música nessa época. Então, minha profissão como Engenheiro de Software veio antes e então comecei com a música e na Alemanha, em 2008, comecei experimentar na área da fotografia.


Você já é um profissional em todas essas áreas.

Na verdade, música e fotografia são hobbies. A fotografia estou levando mais a sério agora.  

Sim! E falando sobre os instrumentos, como você mencionou, você foca mais na Harpa Judaica e percussão, tem uma banda com um amigo chamada Pulsar Clock, lançaram um álbum chamado Spacewire, que tem 7 faixas instrumentais. Como foi o processo de composição e gravação? Como essa banda começou? Fala mais para nós sobre o Pulsar Clock.

No Pulsar Clock, começamos eu e meu amigo Dmitrii. Eu o conheci numa empresa que trabalhei há uns 12 anos. Trabalhamos juntos e ele também se interessa por música. Então começamos a nos encontrar para fazer um som juntos e foi assim que formou a banda. Mas nos encontrávamos uma vez a cada um ou dois meses, não era algo muito regular. A gente improvisava juntos. Ele focava nos instrumentos eletrônicos e controlava o programa Ableton no computador, tocando sintetizadores e outras coisas, como bateria eletrônica. Ele tinha vários equipamentos. Eu toco coisas mais tradicionais, como bateria, às vezes guitarra. Também tenho um Looper, que uso para gravar faixas. Toco muito a Harpa Judaica. É o que toco melhor entre todos os instrumentos que sei tocar. Gravamos muitas coisas e num determinado momento, nós decidimos lançar algumas coisas. Foi assim que lançamos nosso primeiro álbum. Na verdade, se você for analisar todo o material que gravamos, poderíamos lançar mais uns 10 álbuns. Mas tanto ele quanto eu temos famílias, ambos temos empregos que ocupam o dia inteiro, não chegou no ponto onde temos tempo suficiente para trabalhar nesses lançamentos. Mas pelo menos nos encontramos e nos divertimos juntos. Essa é nossa razão principal para tocar. A música que temos e que lançamos é um produto disso.


Agora você pode chamar os caras do Pearl Jam para tocar e cantar no seu próximo álbum.

Ótima ideia!


Que tipo de música e bandas você cresceu ouvindo? Como disse que comprou uma guitarra, acho que já ouvia rock and roll, certo?

Sim, muito. Tinha uma rádio de rock na cidade que cresci, chamada Chisinau, que é a capital de Moldova. Eles tocavam muito rock russo. Não sei se faz sentido eu mencionar os nomes dos grupos, mas vou tentar. Comecei ouvindo uma banda chamada Agatha Christie, que é uma banda de rock russa. Então, enquanto crescia, comecei a ouvir bandas como Piknik e Splean. Depois, coisas mais underground como Grazhdanskaya Oborona, Yanka Dyagileva. Você nunca ouviu esses nomes. Depois eu descobri uma banda chamada Auktyon, que também é russa, e me apaixonei por esse som. Eu ainda ouço, é uma música muito diversa. Não é um padrão. São muitas pessoas, mais que três, quatro, cinco ou seis pessoas tocando ao mesmo tempo, é algo muito rico. É uma música interessante. Mas para citar algo mais europeu ou americano, gosto muito de The Prodigy. Depois que ouvi The Prodigy pela primeira vez, fiquei ouvindo por muitos anos e adorei. E mais tarde descobri bandas como Coil, Dead Can Dance, LJ, Agnes Obel, que é uma artista menos conhecida, mas muito bonita. E música eletrônica que ouço muito, principalmente enquanto estou trabalhando. Isso porque não consigo escutar músicas que tenha vocais enquanto estou trabalhando, pois me distrai. Quando eu era criança, conseguia. Mas agora não consigo mais. Então escuto muito músicas eletrônica de bandas como Orbital, Epic Dreams. Eles têm uma orquestra muito bonita. E vários artistas nessa pegada. Eu escuto literalmente qualquer coisa, de todos os gêneros. É fácil dizer o que ouço.


Legal! E você lembra quando foi a primeira vez que você ouviu Pearl Jam?

Na verdade, não. Eu não lembro quando foi a primeira vez que ouvi Pearl Jam. Essa é uma história engraçada porque quando eles fizeram a proposta para eu trabalhar com eles. Claro que eu sabia e já tinha ouvido falar do nome Pearl Jam, sabia que era algo gigantesco, tinha certeza de que já tinha ouvido muitas coisas deles. Mas então, quando fui ouvir as músicas deles, cheguei à conclusão que tinha umas duas músicas que já conhecia. Percebi que tinha ouvido umas duas músicas deles, provavelmente no rádio. Não os ouvia propositalmente, vamos dizer assim. Difícil dizer onde foi que ouvi essas duas músicas. Mas podemos dizer que a primeira vez que realmente escutei Pearl Jam foi quando eu estava trabalhando para esse álbum, porque eu abri o Spotify, selecionei o Pearl Jam e coloquei para tocar todas as músicas de maneira aleatória e comecei a fazer minhas fotos enquanto ouvia Pearl Jam. Achei que seria uma boa ideia.


E como eles te encontraram para você trabalhar para eles nesse novo álbum?

Essa também é uma história engraçada. Até onde eu sei, não é algo...como dizer...aprovado? Não é algo que sempre acontece dessa forma. A história que me contaram foi que um dos caras do Pearl Jam, acho que foi o Jeff, estava lendo um artigo na revista Popular Mechanics. Eu também vi esse artigo. E nesse artigo, tinha uma imagem minha. Era a imagem de capa desse artigo. No topo do artigo, tinha essa imagem, que é minha e estava creditada com meu nome. Acho que ele gostou e então pediu para o empresário ou agente, não sei ao certo qual é o cargo oficial dele, mas ele se chama Scott Greer e entrou em contato comigo. E então o Scott tentou entrar em contato comigo durante alguns dias por todos os canais que conseguia achar, como Facebook, Instagram e outros meios. Mas naquele momento tinha deixado de lado por um tempo meus trabalhos como fotógrafo para focar no meu trabalho e na música que estava fazendo com o Dimitrii. Então, não estava olhando nada, não abria meu Instagram há meses. Então não vi as suas tentativas de tentar entrar em contato comigo. Então ele teve uma ideia brilhante e achou a empresa para qual eu trabalho no LinkedIn, procurou meu nome e me enviou um e-mail, que vi na hora, pois uso todos os dias no trabalho. Eu vi esse e-mail e tinha 100% certeza que era um golpe com alguém dizendo que queria comprar as minhas fotos, pois mandou no meu e-mail profissional, que não é tão fácil de achar assim. Então tinha certeza de que era um golpe. Mas começamos a conversar e fiz uma chamada com ele, que fez uma proposta para eu trabalhar para eles criando artes e, quando ele disse para quem era, fiquei em choque porque eu sei que o Pearl Jam é uma das maiores bandas do mundo. Perguntei: “O Pearl Jam!?”. E ele: “Sim, o Pearl Jam.” Achei que ele estava brincando, mas era verdade. Foi assim que começou.


E como foi trabalhar com eles? Você os encontrou, trocavam ideias? Provavelmente você ouviu as músicas antes, certo?

Não, não ouvi antes. Não sei como faziam antes, mas dessa vez tudo foi mantido em segredo o máximo possível. Tive até que assinar um termo quando recebi a lista de músicas do álbum dizendo que não poderia vazar nenhuma informação. Mas na verdade, isso foi tudo eu tinha, que era o nome do álbum e os nomes das músicas. O Scott também me disse qual álbum antigo era similar a esse. Mas só ouvi o primeiro single quando foi lançado mesmo, assim como todo mundo. Não ouvi nada antes. E nos comunicávamos através do Scott, para quem enviava todo meu trabalho, que eram as fotos, que enviava para os caras, que davam o feedback. Acho que eles não têm muito tempo para conversar pessoalmente, então o Scott fazia tudo dessa parte para eles. Então ele me enviava o feedback, pedia algumas coisas, para enviar as fotos, perguntava como criei a foto e coisas desse tipo. Criamos esse diálogo que ele dizia diretamente para mim o que deveria fazer, o que eles gostavam ou não, coisas desse tipo.


Então você nem os conheceu, isso é doido.

Não, não conheci. A coisa mais pessoal que veio deles foi um comentário do Jeff no meu Instagram.


Vocês têm que se conhecer. Provavelmente será na Alemanha, quando eles forem tocar aí, né?

Espero que sim! Eu vou para o show em Berlim e talvez lá eu tenha a chance de conhecê-los pessoalmente. Seria legal.


E falando sobre a arte de capa, como vocês decidiram que seria essa a capa?

Na verdade, eles viram minhas imagens na internet e nesse período em que eu os enviava meu trabalho eu estava vendendo algumas fotos na internet nessas páginas onde quem está interessado compra sua foto. Você mostra suas fotos para o cliente, que quando compram podem publicar onde quiserem. Tem a imagem que o Jeff viu e gostou bastante. Então essa foto acho que era a principal candidata a ser a foto de capa. Mas também tinha uma série de fotos diferentes que ele chamou de “The Eye of Sauron”. E eles ficaram...como posso dizer? Sem a certeza de qual série de fotos gostaram mais. Se eram esse “Alice Rings”, como chamávamos, ou do “The Eye of Sauron” e, no fim das contas, eles decidiram pelo “Alice Rings”. Então, como eles gostaram mais desse, eu criei imagens similares a essa. Na verdade, eles pediram para eu enviar todas as imagens que têm relação com buracos negros e coisas espaciais. Então enviei tudo que tinha essa pegada espacial. Comecei a selecionar e enviei milhares das minhas imagens, separei em 15 páginas e enviei para ele. Então eles olharam e escolheram 30 imagens entre 92 pré-selecionadas para colocarem no álbum.  


São muitas fotos!

Sim. E pediram para eu fazer a fonte porque eles viram que eu também faço escritas com as luzes. E tinha uma foto que estava escrito “minimalism”. E eles pediram para eu escrever “Pearl Jam” e “Dark Matter” com essa mesma fonte. Respondi que era claro que faria e fiz. Eu criei feixes de luz para isso para desenhar essas coisas. Naquele período, o texto que estava escrito “minimalism” era uma qualidade pior de luz e agora consigo fazer isso muito melhor. Então as letras também vêm das minhas fotografias. Eu fotografo cada letra individualmente várias vezes e então eu seleciono as melhores e, depois de selecionar tudo, enviei o alfabeto inteiro para eles e assim criaram as palavras “Dark Matter”, “Pearl Jam” e algumas outras.


Como você estava explicando, como você pode explicar como é o seu trabalho para que não sabem nada sobre como fazer isso e apenas gostam de ver, como eu? Você escreve no seu Instagram que você não usa o Photoshop. Não acreditei quando li a primeira vez isso. E você tem dois lindos quadros aí com você.

Sim, obrigado! São quadros eu deixo pendurado em outro cômodo, mas trouxe aqui comigo para aparecer um pouco do meu trabalho no podcast. Sim, vou tentar explicar. Se eu não conseguir explicar muito bem, procure por “light painting” no Google e abram o link do Wikipedia que vai te dar mais informações, porque tem um artigo sobre isso, além de descrever detalhadamente como fazer. Mas para explicar em termos básicos, quando a fotografia foi inventada, era apenas uma câmera dentro de uma caixa com lentes e uma cortina. As pessoas que queriam tirar uma foto tinham que se sentar e ficar paradas por bastante tempo, cerca de 1 minuto, para que a luz pudesse captar os contornos. É mais ou menos a mesma forma que as câmeras funcionam hoje em dia. O obturador abre e tudo que aparece vai sair no clique, então o obturador fecha. Esse tempo de abertura e fechamento costuma ser muito rápido. Por isso que muitas fotos ficam nítidas, mesmo quando tem movimento não ficam desfocadas. Se você tentar tirar fotos a noite ou em uma sala escura, por exemplo, pode até tentar com seu celular, pois terão pequenas luzes que você tenta tirar foto e eles mostram o tempo em que o obturador abre e fecha e mostra quanto tempo isso demora. A câmera tem que prolongar esse tempo porque não há luz suficiente. Automaticamente aumenta esse tempo, pois não tem luz suficiente e como último recurso tenta aumentar esse tempo de exposição para 1 ou 2 segundos e então você vai conseguir ver algumas coisas estranhas na sua foto, como por exemplo se tiver um carro passando por vocês durante o clique você verá o contorno dos faróis na sua foto. Ou, se você acidentalmente move sua câmera durante o clique, ficarão uns feixes de luzes. Isso é basicamente como “light painting” funciona. A diferença é que faço isso propositalmente. Eu coloco a minha câmera no modo manual e seleciono para que a exposição seja muito longa, de acordo com o tempo que eu vou precisar. Então pode ser qualquer tempo entre frações de segundos e 30 minutos. Essa foto, por exemplo, que fiz com a minha esposa, ela teve que ficar sentada por uns 15 minutos sem se mexer. E criei tudo isso. Todos esses detalhes de luzes que você vê são movimentos da minha mão com uma tocha.


Isso é maluco!

E você contorna o corpo dela constantemente até você ter toda a silhueta. E então você uma fonte de luz diferente, que tenha mais azul e contorna a guitarra. É assim que é feito. E como os flashes de luzes surgiam da câmera e não dela, você não consegue ver ela ou a guitarra, consegue ver apenas o contorno da silhueta. É assim que funciona. Você consegue fazer muitas coisas assim. Se alguém que estiver assistindo isso quiser tentar, apenas mude para o modo manual e todas as câmeras têm esse controle de exposição em que você pode selecionar frações de segundos, 1, 2, 5 e assim até 30 segundos e tem até câmeras como a minha em que você pode selecionar o tempo, o que significa que você clica uma vez, o obturador abre, aí você faz o que quer fazer e então clica pela segunda vez e o obturador fecha. É o método de trabalho para “light painting”. Se você não tem isso, pode usar 30 segundos. Aí tem que pensar estrategicamente. É como se escrevesse uma palavra, mas as letras não estão lá.


Não é um trabalho simples.

Eu posso te mostrar um “flash light” que eu tenho, que é basicamente isso, que tem um botão. Isso aqui é um prêmio que ganhei em uma competição de fotografias graças ao meu último trabalho. Tivemos uma competição local de fotografia. Mas é o material que é interessante, pois como pode ver cria vários feixes de luz e, quando você tira fotos com isso, cria um movimento bem legal. E fica parecendo uma espada.


Tipo um jedi.

Sim, você pode matar alguém, é uma ferramenta perigosa. Tem mais isso aqui que quero mostrar.


Muito legal! Você ganhou um prêmio e ainda diz que não é profissional.

Eu não sei se sou porque eu não estudei arte, eu sou autodidata. Também não fiz provas, então é difícil dizer em qual nível estou, mas depois que fiz a arte de capa do Pearl Jam, tenho um sentimento que não sou tão ruim assim no que faço.


Você é criativo. Isso às vezes é mais importante que só saber a técnica em muitos trabalhos, não apenas na fotografia.

Sim. Mas devo dizer que em “light painting” se você não tiver técnica suficiente muitas vezes os resultados que terá vai parecer que foi feito por uma criança, entende? É muito difícil ter bons resultados se você não tiver paciência e não ficar tentando várias vezes. O problema de “light painting” é que é um trabalho às cegas, você só consegue ver o seu trabalho no final. Você tem uma ideia do que você quer fazer, mas você faz o clique, dura alguns minutos, e depois que termina pode achar horrível e vai querer fazer de novo, várias vezes, e assim aprenderá cada vez mais entre uma foto e outra. E talvez depois umas dez fotos ficará satisfeito com o resultado.


E como foi ver o seu trabalho nos cinemas?

Eu diria que pessoas normais se sentiriam orgulhosas. Eu tenho problemas com esse tipo de sentimento, eu não sinto orgulho de alguma forma. Eu tento, mas não consigo. Mas eu fiquei muito animado. Eu era o mais animado entre as 80 pessoas que tinham na sala de cinema que fui aqui na Alemanha. Eles me deixaram falar algumas palavras antes de começar. Então as pessoas ficaram sabendo que o artista que fez as fotos do álbum reside em Nuremberg. Eu também fiquei julgando as animações, analisando o quanto ficaram boas e se ficaram apropriadas. Isso porque não fui eu quem fez as animações, os caras do Pearl Jam mesmo que fizeram as animações. Não sei quem exatamente, imagino que eles tenham uma equipe de designers. E eu fiquei muito satisfeito. Achei que as animações ficaram muito boas. Algumas animações achei que ficaram até melhores que as minhas fotos. Estava muito animado e quase dancei na cadeira. Alguns ficaram meditando na cadeira, mas eu não conseguia parar de me mexer.


E você tem alguma arte favorita nesse novo álbum do Pearl Jam?

Sim, eu diria que entre as fotos que foram usadas no álbum eu gostei muito da arte de capa e a arte que tem na parte de trás. Tem algumas fotos semelhantes. Ainda não recebi a minha cópia do álbum, então não vou conseguir mostrar exatamente o que estou dizendo, mas as pessoas que já receberam vão entender. Tem uma capa na frente e uma atrás. Essas são as minhas favoritas e também são os meus trabalhos mais recentes. E também com a fonte (letras), fiquei muito satisfeito como ela ficou.


E musicalmente falando, tem alguma faixa favorita desse novo álbum?

Sim, “Dark Matter”. A música principal do álbum, que tem muita energia e também é muito bonita. É a que eu mais gosto.


E quais são seus próximos passos? Já está trabalhando em outros projetos, talvez mais algum com o Pearl Jam?

Pelo menos até agora não fizeram outra proposta para mim. Claro que ficaria feliz em trabalhar para eles novamente, foi um prazer, foi divertido. Ainda não sei, vou esperar para ver o que vai surgir porque, como disse, não é a minha profissão, é meu hobby. Antes do Pearl Jam eu nem conseguia monetizar direito. Eu ganhei uma grana com isso, mas não é algo suficiente para você conseguir viver só com esse dinheiro. Então tenho que continuar com meu “trabalho normal”. Em fevereiro eu mudei de empresa, fui para uma indústria automotiva, e agora esse é o meu foco principal. Tento entender o que tenho que fazer para aprender direito. Se no futuro for possível trabalhar menos como Engenheiro de Software e poder fazer mais artes através da música e da fotografia, ficaria bem feliz.


E você me pediu para eu gravar você tocando a Harpa Judaica, então por favor.

Sim, a Harpa Judaica! Eu tenho várias. Essa é boa parte da minha coleção. Elas têm esse formato.


Eu nunca nem tentei tocar. 

Você deveria tentar. Sabe por quê? Porque elas não são caras para comprar, uma boa custa uns 15 conto. Uma coisa interessante da Harpa Judaica é que se você tentar tocá-la solta, não vai sair som, porque você tem que usar o seu corpo como parte do instrumento para criar ressonância. É como pegar uma corda de guitarra solta, você não vai conseguir tocar nada. É o mesmo conceito. Você tem que pressionar com os dentes para poder tocar.

Também posso tocar essa menor porque de acordo com o tom, que é isso aqui, depende da nota que ele cria. Pois ele toca só uma nota. Mas você tem vários tipos de tons que consegue manipular e, quanto menor esse tom, mais alta a nota. Então tem esse diferente.


Legal! Vou tentar tocar. Parece algo que você pode ficar fazendo o dia todo.

Sim, tem gente que usa para meditar. Não precisa tocar necessariamente igual eu. Eu gosto de tocar rápido e colocar energia. Mas tem pessoas que tocam assim.

Na verdade, eu nunca tentei tocar dessa forma, que realmente faz algo no seu cérebro. Então tem gente que usa isso para meditar. Tipo aqueles “bowls” gigantes que também produzem sons. Acho que o conceito é o mesmo. Mas para tocar isso aqui, é só pressionar com seus dentes e a vibração vai para o seu crânio, que começa a vibrar também. Então a música que você está tocando influencia seu crânio. É algo muito prático e essa é a razão pela qual eu gosto muito desse instrumento, você pode levá-lo para qualquer lugar. Também tem a opção de usar na roupa e quando quiser tirar, é só começar a tocar. São pequenos, não são caros, são robustos. Apenas nos primeiros dias você vai precisar de um pouco de paciência, mas depois disso você vai entender o que fazer e não vai precisar nem fazer um curso.


Sim, eu com certeza vou comprar porque eu também gosto de meditar. Já me vejo tocando.

Legal!


Você me deu um novo hobby agora.

Boa!


Muito obrigado Alexandr, foi muito legal falar com você. Obrigado por me receber.

Obrigado por me receber e pelo convite.


Me avise quando estiver pelo Brasil e farei o mesmo se eu for para Alemanha.

Com certeza!


Beleza, valeu mesmo!

Valeu!

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